Como fazer uma resenha crítica?
Atualizado em · 6 min de leitura · pela equipe HidenGPT
Para fazer uma resenha crítica, apresente a obra e o autor, resuma as ideias centrais com as suas palavras e depois avalie: o que a obra faz bem, onde falha e para quem ela serve, sempre com argumentos e exemplos tirados do próprio texto. O que separa a resenha crítica de um resumo é essa opinião fundamentada.
Na faculdade, siga primeiro o roteiro do professor: tamanho, partes obrigatórias e norma de referência mudam de uma disciplina para outra.
| Parte | O que entra | Quanto escrever |
|---|---|---|
| Referência | Autor, título, edição, cidade, editora e ano, no formato que o professor pedir | Uma linha, antes do texto |
| Apresentação | Quem é o autor, qual o tema, para quem a obra foi feita e onde ela se situa na área | 100 a 150 palavras |
| Resumo | A tese central e os principais argumentos, com as suas palavras | 300 a 400 palavras |
| Análise crítica | Pontos fortes e fracos, cada um com uma justificativa e um exemplo do texto | 350 a 450 palavras |
| Indicação | Para quem a obra serve, em que disciplina ou situação, e com que ressalvas | 80 a 120 palavras |
Resumo, resenha e recensão: o que diz a ABNT
A norma que trata do assunto é a ABNT NBR 6028, atualizada em 2021. Segundo o resumo da Biblioteca da Unifor, ela define resenha como a análise do conteúdo de um documento, objeto, fato ou evento, e recensão como a análise crítica, descritiva ou comparativa, geralmente feita por especialista. As duas devem dar ao leitor uma ideia da obra, analisando e descrevendo os aspectos relevantes, numa sequência de frases concisas, sem enumeração de tópicos. A norma não fixa limite de palavras para elas, e quem escreve não pode ser o autor da obra.
Na prática da graduação, “resenha crítica” é o nome que os professores dão à versão com julgamento. O roteiro da Biblioteca da Faculdade de Educação da Unicamp resume bem: a resenha crítica combina resumo e julgamento de valor, e o objetivo é ajudar o leitor a decidir se vale a pena ler o original. Duas consequências diretas: a resenha é um texto corrido, em parágrafos, e precisa de uma posição sua.
As partes de uma resenha crítica
O roteiro da Unicamp, apoiado em Lakatos e Marconi, lista oito passos: a referência da obra, as credenciais do autor, o resumo das ideias principais, as conclusões do autor, a metodologia usada, o quadro teórico de referência, a crítica do resenhista e as indicações do resenhista, isto é, para quem a obra serve.
Numa resenha de duas ou três páginas, esses oito passos cabem em quatro blocos, como na tabela acima. Credenciais e quadro teórico entram na apresentação. Conclusões e metodologia entram no resumo. Crítica e indicação ficam no fim, e é ali que a nota costuma ser decidida.
Uma conta simples ajuda no planejamento: o resumo não deveria passar de 40% do texto, e a análise deveria ter pelo menos um terço. Se o seu rascunho tem 700 palavras de resumo e um parágrafo de opinião no fim, ele ainda é um resumo com comentário.
Como escrever a parte crítica
Todo juízo precisa de um porquê e de um exemplo. Compare.
Antes: “O artigo é interessante e bem escrito.”
Depois: “O artigo convence na parte empírica, com entrevistas em 12 escolas, mas generaliza para o país inteiro a partir de uma única cidade.”
A segunda frase diz o que funciona, o que não funciona e onde está a prova. Para chegar nela, faça três perguntas à obra: a tese é sustentada pelos dados ou exemplos que o autor apresenta? O que ficou de fora e faria diferença? Como ela conversa com outro texto que você leu na disciplina?
Calibre a força das frases pelo que você consegue provar. “O autor ignora a questão” exige prova; “o capítulo dedica pouco espaço à questão” é mais fácil de sustentar. A terceira pessoa é o mais comum em trabalhos acadêmicos, e muitos professores pedem. Ironia e frases de efeito costumam custar pontos, porque substituem a análise.
Filme, livro ou artigo científico: o que muda
Filme: comece pela ficha técnica (título, direção, ano e país), resuma o enredo só até onde a análise precisa e avalie a linguagem: roteiro, atuação, fotografia, trilha e montagem, sempre com uma cena como exemplo. Conte o final apenas se a sua crítica depender dele.
Livro: dê a edição que você leu e como a obra está organizada, em capítulos ou partes. No romance, a análise costuma passar por narrador, personagens, linguagem e contexto; no livro teórico, pela tese e pelos argumentos.
Artigo científico: apresente o problema e o objetivo, resuma método e resultados e avalie se as conclusões cabem nos dados. Amostra pequena, período curto e falta de grupo de comparação são limitações comuns de apontar, desde que você mostre onde estão no texto.
Antes de entregar
Confira cinco coisas. A referência está completa, antes do texto. A primeira frase diz que obra é e qual a sua avaliação geral. O resumo está com as suas palavras, escrito com o livro fechado e conferido depois. Cada juízo tem uma justificativa e um exemplo. Todo trecho copiado está entre aspas, com a página.
Citação e referência seguem a norma que o professor pedir, e no Brasil quase sempre é a ABNT. Se você usar o HidenGPT para organizar um rascunho a partir das suas anotações, saiba que ele cita em APA 7, MLA 9, Chicago autor-data ou Harvard, e não em ABNT; a formatação ABNT você faz no seu documento. Resenha pronta da internet não resolve: além de ser plágio, ela não responde ao roteiro da sua disciplina.
Erros comuns
- Resumir a obra inteira e deixar a crítica para um parágrafo no fim: reserve pelo menos um terço do texto para a análise.
- Opinar sem justificar (“gostei”, “é ótimo”): diga por quê e mostre o trecho que sustenta o juízo.
- Escrever em tópicos: a resenha é um texto corrido, em parágrafos.
- Copiar a sinopse da editora ou de um site: escreva o resumo com o livro fechado e confira depois.
- Esquecer a referência da obra: ela vem completa, antes do texto, no formato que o professor pedir.
- Trocar argumento por ironia: aponte o problema e mostre onde ele está no texto.
Perguntas
Qual a diferença entre resumo e resenha crítica?
O resumo só condensa as ideias da obra; a resenha crítica condensa e julga. Na resenha, você toma uma posição e justifica cada avaliação com exemplos do texto.
Quantas partes tem uma resenha crítica?
Em geral, quatro: apresentação da obra e do autor, resumo, análise crítica e indicação, com a referência no topo. O roteiro da Biblioteca da Faculdade de Educação da Unicamp detalha oito passos, que cabem nesses quatro blocos.
Resenha crítica é em primeira ou terceira pessoa?
A terceira pessoa é o mais comum em trabalhos acadêmicos, e muitos professores pedem. Se o roteiro aceitar a primeira pessoa, use com moderação, sem trocar argumento por gosto pessoal.
Qual o tamanho de uma resenha crítica?
O que o roteiro do professor disser: a NBR 6028 não fixa limite de palavras para resenhas. Para transformar páginas em palavras, numa página ABNT em Times New Roman 12 com espaçamento 1,5 cabem cerca de 520 palavras, pela medição do nosso guia de 2.000 palavras.
Como fazer uma resenha crítica de um filme?
Comece pela ficha técnica, resuma o enredo só até onde a análise precisa e avalie a linguagem do filme: roteiro, atuação, fotografia e montagem, sempre com uma cena como exemplo.
Como fazer uma resenha crítica de um artigo científico?
Apresente o problema e o objetivo do artigo, resuma método e resultados e avalie se as conclusões cabem nos dados. Aponte as limitações e, se puder, compare com outro estudo que você leu na disciplina.
Precisa de citação na resenha crítica?
Precisa sempre que você copiar um trecho da obra: entre aspas e com a página. Ideias contadas com as suas palavras também são atribuídas ao autor, e a norma de citação vem do roteiro, em geral a ABNT.
Fontes
- Biblioteca Unifor: Confira a atualização da norma de resumo, ABNT NBR 6028:2021 (definições de resenha e recensão, sem limite de palavras, texto sem enumeração de tópicos) (consultado em 10 de outubro de 2026)
- Biblioteca da Faculdade de Educação da Unicamp: Receita para elaborar resenha (2005), oito passos e definição de resenha crítica (consultado em 10 de outubro de 2026)